Paula Franco, bastonária da OCC, anunciou aa iniciativa Contabilista 3.0, que vai abranger vários projetos para facilitar a troca de documentação entre empresas de menor dimensão e o contabilista certificado, através de um sistema que pode centralizar os dados.
A iniciativa Contabilista 3.0 será possível devido às novas tecnologias, como a gestão documental digital com base em soluções cloud e Inteligência Artificial (IA) que irá libertar os contabilistas de tarefas rotineiras e repetitivas sem valor acrescentado para o seu trabalho, economia ou empresas.
Paula Franco afirmou que “não temos o foco naquilo que é a informação financeira e em trazê-la de forma atempada. O nosso foco tem de ser esse” e sublinha que o Contabilista 3.0 pode levar as empresas a outro patamar.
Considera também que as tecnologias têm pontos positivos se usadas e postas ao serviço da contabilidade e é com esse foco que a OCC irá trabalhar para que a partilha de documentos (faturas, guias e outros documentos contabilisticamente relevantes) entre empresários e contabilista certificado seja facilitada. No entanto, esses projetos de simplificação necessitam de aprovação do Governo.
A bastonária da OCC considera que “O ‘Contabilista 3.0’ tem de se libertar de tudo o que é redutor na sua relação com a empresa e focar-se naquilo que é verdadeiramente importante. Esse passo tem de ser dado. Há vários projetos que serão apresentados em 2026”.
Defende também que os contabilistas têm imensas tarefas para cumprir que acabam por não cumprir as suas tarefas tão atempadamente quanto desejável para a maioria das empresas, principalmente as microempresas e PME. Enquanto as grandes empresas têm recursos como departamentos financeiros e informação mais atempada, as PME não conseguem fazer face a essa realidade da mesma forma.
Paula Franco insiste que uma das tarefas diárias do contabilista e sem qualquer valor acrescentado é a recolha de documentação das empresas. Enfatiza que várias vezes os contabilistas perdem tempo a pedir faturas de valores residuais como 1€ ou 2€, pois precisam da informação para tratamento.
Mas esta interação pode causar fricção entre contabilista e empresário pois o contabilista precisa dos documentos para os tratar, mas gasta bastante energia, tempo e recursos com a tarefa (aproximadamente 20% a 30% do tempo do contabilista é passado com documentação).
Para tal prevê um desenho de um processo centralizador de documentos, sem papel, com uma entidade que centralize a documentação empresarial, com proteção de encriptação de dados. O processo não pode estar em organismos públicos que precisem de tais dados. Deve estar em entidade completamente autónoma que não use os dados nem precise de os utilizar. Deve também existir uma central de consentimentos para o empresário autorizar a partilha dos dados.





